Sepp Blatter já tem um historial de declarações curiosas, no mínimo. Quem não se lembra da referência à escravidão no futebol, aquando da transferência de Ronaldo para o Real? Eis a mais recente:
«Quando estamos num jogo de futebol não há classes sociais, todos somos iguais e todos, no estádio e na televisão, todos são peritos», disse Blatter. «Se introduzirmos tecnologia deixamos de poder ser peritos», alertou. «Não queremos introduzir tecnologia, não há volta a dar. Queremos manter as emoções e a paixão que rodeia o futebol», concluiu.
Portanto a paixão do futebol não está na magia de jogadores como Messi ou Ronaldo, não está naqueles segundos que decidem títulos como a mítica final entre Manchester e Bayern, não está no amor ao clube ou ao país... está precisamente nos erros de arbitragem.
Os irlandeses ficaram mais apaixonados pelo desporto quando Henry tocou a bola com a mão 2 vezes e colocou a França no Mundial. Os italianos ficaram encantados com o desporto quando a sua selecção foi escorraçada do Mundial da Coreia após cinco (!) golos mal anulados por fora de jogo. Tom Ovebro entrou no coração dos adeptos do Chelsea quando não marcou quatro grandes penalidades na meia final da Liga dos Campeões contra o Barcelona. Ou então o Blatter pura e simplesmente está sem argumentos para explicar esta teimosia. Ainda quero crer que é apenas teimosia.
P.S. Realmente, quando vou ao estádio, farto-me de ouvir "peritos" a falarem das decisões arbitrais. Utilizam é um vocabulário um pouco diferente, envolve normalmente vários elementos da família do árbitro, mas deve ser linguagem de perito.
Sunday, June 6, 2010
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