Wednesday, June 30, 2010

Queiroz, o coitadinho

Na última conferência de imprensa de Queiroz na África do Sul que eu acho, a todos os níveis, lamentável, o seleccionador nacional voltou a sacudir a água do capote e a disparar noutras direcções.

Começou por dizer que "Os nossos adeptos têm todos os motivos para se sentirem orgulhosos, honrados e prestigiados com a prestação da Selecção". Como se ganhar apenas um jogo fosse motivo de orgulho.
Quem é que disse que Portugal queria chegar, pelo menos, às meias finais? Quem é que falou em títulos? Vamos ser sérios: Portugal fez um campeonato do mundo regular. Passou num grupo dificil e foi eliminado pela campeã europeia. Mas se é para jogar como Portugal jogou, metam lá qualquer treinador do meio da tabela do nosso campeonato que faz o mesmo por muito menos dinheiro. Não há motivos para ficarmos desiludidos mas também não há motivo algum para ficarmos orgulhosos.

Depois temos esta "pérola": «Não hipotequei o meu futuro no Manchester United para andar a brincar com o futebol português. Por isso, não ponham em causa a minha honra. Quando digo que um jogador está lesionado é porque está, assim como quando digo que um jogador está cansado é porque está»

Para além de dar toques de um autoritarismo bacoco que nada tem a ver com liderança, ainda dá a ideia que fez um sacrifício em sair do cargo de adjunto no Manchester para ser seleccionador nacional. Uma vergonha. Mas esta nova face de Queiroz continuou:

"Portugal precisa do Cristiano Ronaldo e ele também precisa da Selecção. Se o tamanho da camisola da Selecção for pequeno demais para o corpo de algum jogador, não precisa de estar aqui. Enquanto eu estiver no comando, ninguém está acima da Selecção."

Excelente para acalmar a situação. Vamos continuar esta peixeirada em praça pública, perdendo a confiança de um jogador.

Mas há mais:

«Quando comecei a trabalhar nas selecções, íamos lá fora ver os carros, pois quando passávamos a fronteira já estávamos a perder por 3-0. Depois começámos a discutir resultados, as qualificações e as vitórias, até que criámos as gerações que asseguraram o patamar em que está a Selecção Nacional. Se já fizemos isso uma vez, temos agora todas as condições para voltar a fazê-lo com muito mais eficiência e ambição».

Para além de passar uma borracha sobre a geração de 66 ou de 84, ainda se acha responsável pela evolução de todos os jogadores que culminaram naquele trajecto brilhante de Scolari. E por falar em Scolari, agora se vê a falta que fazia. Foi sempre um treinador que defendeu os seus jogadores, que conseguiu meter a equipa a lutar por um objectivo e, mais que isso, a praticar bom futebol.

Infelizmente, e porque Queiroz ainda tem muitos amigos em Portugal, vamos vê-lo ao leme no Europeu. Antes deste Mundial éramos uma equipa que praticava bom futebol e que seria sempre uma ameaça a bons lugares. Depois disto, não nos podem levar a sério. Voltamos a ser pequeninos, como a personalidade do treinador.

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