Cada vez mais se fala na saída de Queiroz do comando da selecção, curiosamente por questões que em nada estão relacionadas com a sua performance a nível técnico, mas por motivos mais comportamentais. Já se sabe que aquela máscara que ele usa de bom falador, pensador, eloquente é mais frágil que um copo de cristal e não é mais do que uma projecção daquilo que ele pensa que é: um nome a nível mundial.
Ora o Queiroz, verdade seja dita, apenas conquistou dois títulos de juniores há 20 anos quando o Roberto Carlos ainda usava uma carapinha em que mais parecia um microfone com pernas que outra coisa, uma Supertaça e uma Taça de Portugal com uma equipa que incluía Balakov, Figo, Cadete, Paulo Sousa e outros grandes nomes do futebol nacional, e acabamos por aqui porque isto de ganhar mais coisas em 30 anos de carreira é para outros nomes.
Por isso, e apesar de já ter trabalhado em quatro continentes, nunca se pode considerar um grande treinador. Quando muito, pode ser um bom coordenador técnico, alguém que poderia organizar as selecções jovens de um país, mas sem nunca meter um pezinho que seja no banco onde, aí sim, causa estragos.
Portanto a nível técnico, estamos conversados. Quanto ao resto, desde andar à pancada com um jornalista, passando pela indisciplina que caracterizou este Mundial, até mandar o responsável máximo de um organismo nacional para o sítio que o trouxe ao Mundo, tudo isto revela a verdadeira natureza deste treinador: sem nível, sem liderança, com pouca cabeça, resumindo, uma besta.
Só mesmo os que ainda pensam que Queiroz é uma espécie de D.Sebastião que nos vai criar uma geração de ouro como há 20 anos atrás é que podem defende-lo. E, sinceramente, não sei em que se baseiam para isso. A formação é, cada vez mais, um papel dos clubes e não das selecções. Ou não teríamos uma escola de formação holandesa (Feyenoord, Ajax) contra uma escola de formação espanhola (Barcelona, Real Madrid) na última edição do Mundial. E como é que pode haver essa escola, se as selecções jovens jogam naturalmente em esquemas diferentes da selecção principal? Será que é possível existir um único modelo de jogo a nível de selecção? Ou isso depende dos jogadores que lá estão e dos clubes de onde vêm? Acho que a resposta é óbvia e é a única possível.
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